terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Déjà vu




Eu percorro com os dedos tuas costas nuas.
O meu olhar acompanha a suavidade dos meus movimentos.
As horas deixaram de fazer algum sentido.
O tom bronzeado se mistura com o aroma que exala da tua pele... e eu inalo lentamente.
Vendo bem de perto, teus poros mais parecem pequenos, milhares de conjuntos montanhosos que ao entrarem em contato com meus dedos, somem, surgem, somem de novo em um encadeamento prazeroso.
Um déjà vu percorre minha mente:
"Isso já aconteceu..."
É, e me parece que até em outras vidas você e eu já éramos N ó s.

Thaís Rigueira

Eu sou uma bomba

Eu sou uma bomba,
quando me explodo de felicidade,
ao matar uma saudade,
em um abraço apertado... em um beijo
eu sou uma bomba,
quando me encontro na perda,
no desespero, no choro compulsivo
eu sou uma bomba.
E não é tão trágico
ser uma bomba
quando se explode
no momento certo.
Fogos de artifício são lindos
quando explodem
no momento certo
e mesmo assim
não deixam de serem
bombas.

Thaís Rigueira

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Poesia de guardanapo


A lágrima cai e des(mancha)
as palavras escritas de caneta bic.
Deveriam ser palavras belas em um
papel tão delicado.
Mas as lágrimas mancham tudo
Mancham não só no rosto que fica sujo
de tinta azul
Mancham na alma
Onde as marcas se aprofundam mais

Peguei um papel pra escrever uma
poesia com destreza
E tudo que fiz foi me manchar
de tinta
e de tristeza...

Thaís Rigueira
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

No olho do furacão



"Aquele momento em que me deleito ao seu lado depois de uma semana agitada, que ficamos de rostos colados, os olhares se intercalam olhos nos olhos e escuridão; o silêncio se torna nossa trilha sonora, acompanhados de respirações quentes, ternas e vagarosamente compassadas; os seus dedos caminham em minha pele - d e l i c a d a m e n t e - escrevendo frases invisíveis, proporcionando-a arrepios suaves. Esses momentos singulares vangloriam meus sentimentos e talvez, por serem justamente tão peculiares, tão nossos, meus pensamentos voam, tão certo quanto ao momento em que minha mente não mentiu pra mim quando te quis ao meu lado.

Me sinto - por alguns instantes, eu sei, - em meio ao olho de um furacão,
no meio de uma semana,
no meio de um mês,
no fim de um ano."

Thaís Rigueira 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dedico-te



"Me transformo em flor,
céu azul,
pôr do sol...
Versifico-me neles,
pois, quem não tem
o hábito de me ler,
ao menos poderá contemplar-me."

Com amor,

Poesia



Thaís Rigueira

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O vento e os muros de um coração em construção



Foi alvoroço que provocara a ventania ao chegar lá dentro
Derrubou até as construções que julgava sólidas e fortes
Construções que demorara tanto tempo pra erguê-las.
E com apenas um sopro tudo foi demolido.
Ficou louca de fato, afinal, demoraria
pra juntar tudo que julgava ser cacos.
Mas o vento forte que não deixou nada de pé
Continuou a derrubar tudo que encontrava inteiro.
E ela, na sua ingenuidade só pensava no tempo
que levaria pra erguer cada muro em seu devido lugar
Cada muro que havia construído dentro de si.
Cada muro feito pra ninguém entrar.
Mas o vento foi cada vez mais forte
cada vez mais devastador.
E foi derrubando tudo até restar nenhum tijolo.
Os muros virarão pó
e se sentiu complemente desprotegida.
Mas que o vento forte acalmou
e foi pairando de leve, se tornando brisa.
E antes que pudesse voltar a erguer
seus muros novamente,
percebeu que deles não precisava
porque está bem com o quem viu
com o que sentiu...
estava/era
L I V R E


Thaís Rigueira








segunda-feira, 30 de março de 2015

As flores de plástico não morrem?









É bem verdade que possivelmente grande parte do público feminino já se derreteu ao ganhar um buquê de flores. Mas a questão não é quem gosta ou não de flores, de rosas, de buquês e afins, a questão é o valor de uma pessoa enquanto flor, numa perspectiva metafórica...

As flores são bens não duráveis que nunca enfeitarão por muito tempo um ambiente. As flores servirão apenas por uma semana e logo ficarão feias e murchas e sem nenhuma necessidade de adorno.

Então, eis que uma vez escutei: As flores de plástico são muito mais úteis e não morrem!

Deveras! Flores de plástico serão sempre lindas, e se você cuidar direitinho, não deixando acumular poeira, longe do calor e da umidade, sim... essas flores continuarão lindas e impecáveis por anos a fio. Essas flores vão estar na sala, na varanda, na sala de jantar. Vão estar onde você preferir que elas estejam. E vão esperar que você faça a limpeza daquela poeirinha que acumulou. Sempre estarão esperando a sua vontade.

A verdade é que flores reais são como pessoas. Flores de plástico, infelizmente, também são.

Podemos separá-las em dois grupos: as verdadeiras e as artificiais. Conhecemos uma infinidade de biótipos e personalidades. Alguns, verdadeiros, outros, artificiais. Há pessoas que enquanto flores reais tem seu prazo de validade e deixa que o tempo permaneça e flua em seu cotidiano. Não se importam se um dia “murchar”, o que vai valer é o curto (e valioso) espaço de sua permanência. Mas também há pessoas que enquanto flores artificiais tem uma preocupação absurda com o tempo, com os anos, com a aparência. Não murcham, não sentem, são frias, frígidas, indiferentes e desprovidas de feições sinceras.

O que cabe aqui não é o valor sentimental dos dois distintos grupos florais, mas o valor do tempo. As flores reais são peculiares: quando começamos a nos acostumar com a presença delas, elas se vão, dando lugar a lembrança nostálgica da semana que em que estiveram na nossa companhia. Dão lugar a outras, de fato, mas que jamais serão as mesmas, nem elas, nem as situações. As flores de plástico são feitas em moldes que servem para fazer um milhão de flores iguais. Criam-se tipos de flores que nem existem, moldam-se a nossos gostos, empoeiram-se, amarelam-se e finalmente, são esquecidas.

E aí pensamos como o tempo pode deteriorar tudo, não importa se aparentemente ou sentimentalmente. O tempo deteriora até o que parece infindável. O tempo apenas difere pra cada um, pra cada ser, pra cada flor, sejam as reais, sejam as artificiais.

Mas o que vai importar é: que tipo de flor você foi?

Porque as flores reais tem curto prazo de vida. Isso é fato.

Mas acredite... as flores de plásticos também morrem.



Thaís Rigueira