terça-feira, 24 de abril de 2012

O tempo



Quando eu contava o tempo
o tempo não passava
e eu injuriava ao vento
a demora da passada
dos ponteiros entre os números 
que meu relógio marcava.

Se eu queria que ele passasse devagar
ele já estava correndo
se eu pedisse pra parar
em um lampejo de pensamento
meu relógio já marcava
mas uma hora do meu tempo

A cada compasso da hora
sinto minha vida passando
Fico mais velha, mais adulta
mas isso não esconde meu pranto
de ter perdido em algum momento
alguma alegria ou encanto.

O que me resta é aproveitar
cada minuto passado
não se envolver, nem se trancar
na escuridão de um quarto
A vida é bela
e não espera
aquele que esta atrasado.


Thaís Rigueira

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Calma


Vem doce, inocente...
calma.
Olhos serenos, imuniza a força...
me acalma.
Escraviza meus medos, toma de leve...
minh'alma.
Conscientemente, como uma criança...
me embala.
Desconfunde a confusão que minha cabeça fez... 
e me cala.
E no silêncio,
solidão não mais me espanta...
me fala
que ela se foi e deu lugar a minha...só minha...
inconfundível...
                                     ... calma.

Thaís Rigueira

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Meu Querer







O querer que eu tinha sonhado 
tinha sido um querer assim
amado tinha olhado pra mim
e eu tinha me apaixonado
mas o 'tinha' foi no passado
no presente foi um fim.

E eu queria que esse amado
fosse um amado assim
com olhos fitando em mim
e abraço bem apertado
carinho de beijo molhado
fosse amor sem ter um fim.

Mas o querer foi enganado
querer se foi de junto de mim
por causa de não ter dito sim
que o roteiro foi encerrado
fiquei na solidão sem meu amado
fiquei sozinha com meu triste fim.



Thaís Rigueira

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Poesia



Sou eu, sua Poesia
Toco-te atrevida
Machuco a sua dor.
Ou trago alegria
E saro sua ferida
Mostro-te um novo amor.
Quem sabe em agonia
Eu traga a saída
Mostre-lhe o sol se pôr.
Sua alma em rebeldia
Queira sair em vida
Nascer como uma flor.

Serei sua Poesia
Atrevida, sem ferida, sem agonia, sua saída
Vou te libertar.
Dar-te um novo amor, te mostrar o sol se pôr
Pra te fazer sonhar.

E serei sem pudor
Uma melodia
Serei sim pra sempre
Sua Poesia...
Serei a única de mim
Em sua vida.

Thaís Rigueira

sábado, 3 de março de 2012

Jaz um coração




Meu coração morreu
Nele não sobrou
Nem você
Nem eu.
Em seu lugar ficou uma pedra
Que embora estivesse em meu caminho
E eu usasse pra construir um castelinho
Quem iria morar neste vasto ninho?
Nem você
Nem eu
Este belo ninho
No meu coração morreu.



Thaís Rigueira

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Vermelho





Tirei um pouquinho de sangue
E tingi o meu cabelo
Pra ver se mostrava vestígios
Que denunciasse desejo
Desejo esse que invade
E percorre o corpo inteiro
Pra saciar essa vontade
Só com um pouquinho de vermelho.
Usei-o em minha boca
Pra poder te dar um beijo
Alastrou-se por minhas unhas
E nos olhos virou lampejo
Foi paixão que bateu forte
Sentimento comum e alheio
Se fosse amor teria sorte
Pois não seria tão vermelho
Poderia ser desbotado
Que ainda não seria feio
Ao invés de ser alado
Teria um aconchego
Queria o carinho de um abraço apertado
Do que a paixão de um beijo
Um mimo de rosa claro
Do que um vulcão de vermelho
Em meu peito...



 Thaís Rigueira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Humana

Seus olhos abriram pela manhã sem que fizesse esforço algum, a noite havia sido bastante fria e ao invés de lhe dar aconchego, o frio lhe provocava arrepios de culpa. Levantou como de costume, fez tudo de acordo com sua rotina matinal, apenas saiu um pouco mais cedo e o Sol calmo da manhã presenciou seus passos perdidos costurando as calçadas. Queria andar, andar e andar... apenas isso, se perder um pouco para ver alguma posibilidade de se encontrar. Não tinha mais idade para isso, mas sentia-se perdida dentro do seu minúsculo ser, que agora parecia tão vasto... Não sabia nem o que pensar a respeito de si mesma.

- “Não se culpe, você é humana, apenas isso.”

Procurou algum conforto em ser humana e possuir mil defeitos, mas ainda sim, nada feito. Continuava com mesma tristeza que tornou seu sono trivial, com seus pensamentos inconscientemente pesados, queria arrancá-los dá sua cabeça... Doía demais, entretanto era um dor particular, a qual só mesmo ela teria que senti-la e carregá-la.

- “Não se culpe, você é humana, apenas isso.”

O dia se seguiu, conseguiu distração na sua rotina, até riu um pouco... Nossa, percebeu que conseguiu a façanha de enganar sua própria tristeza... que mais faltaria fazer para completar seu quadro de aversão própria?

Quando a noite chegou, se enrolou em seu lençol como um casulo e esperou o Sol nascer para ver novamente seus passos perdidos nas calçadas.

- “Não se culpe, você é humana, apenas isso.”

E ainda com tais palavras, viu que era mesmo uma humana... humana que machucava... humana que sofria.

Humana... Conformismo vão!